sábado, 7 de fevereiro de 2009

Contos Perdidos das Páginas Mágicas (Texto 6 de 8)

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Boêmia I


Oh solidariedade que se vai até dos bares
Daquelas lamparinas da Lapa, mofadas até na capa
Meus pais não me ligam mais
Eles mudaram até comigo, seu próprio filho

Já não sei me explicar, mas acho que isso passa
Ainda posso ouvir Edith Piaf barbarizar seus casos
Mas que sermão estou a dar a meus ouvidos!
Acho que ela não mais voltará
Só o que me resta é este mar vazio de outrora

E naquele estopim esquecestes de anotar
Que seus amigos irão voltar
Então não chores mais minha doce menina
Sei que terás um tempo para rezar

Oh Deus, que bobagem a minha!
O tempo não há de parar
Não sou vidente nem mago algum
Então que seja este o ultimo copo de rum

Afogado termino de ler...
Amanhã talvez.
É melhor não esquecer que
no sol do amanhecer que pintei

E pintei... e pintei... e pintei...

... enfim chorei.


Current Music: Need - Mudhoney

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Outra Vez Você

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E te vejo caminhar sem olhar
Meus olhos viajam junto com minha mente
E os sentimentos fluem com os passos
Sua voz entra de leve em cada poro de minha pele
Me fazendo flutuar ao sentir que é real
Real, intenso... surpreendente
E faz chover de verdade em minha mente
E te vejo caminhar sem perceber
Que seu sadismo me torna diagnosticado
Com seu sorriso de menta e sensatez
Ninguém entende meus sentimentos
E eu desligo o telefone sem dizer adeus
Porque é a sua voz me leva pro mundo real
Porque você me disperta
E me sinto livre, me sinto eu mesmo
Desesperado escrevo, desenho e pinto
E deesejo o silêncio
Para partir isento de qualquer culpa
Por não ter dito a verdade
E te amar calado outra vez
E outra vez, e outra vez, e outra vez...


["Para aquela que um dia há de ve-lo com outros olhos"]


Current Music: There There - Radiohead

Da Espera Contínua

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Era um dia qualquer, para qualquer pessoa. Caminhei sobre a grama, levemente molhada, e senti pequenas goticulas de água molharem meus dedos descobertos. O sol forte me cegava levemente e as nuvens pareciam se mover mais rápido que o normal. Com meu iPod eu me fechava contra o barulho que aquele local fazia. As vezes é mais divertido ver as pessoas e tentar adivinhar o que elas estão falando ao som de algo diferente de barulhos de carros, crianças chorando ou pessoas berrando. E eu via em um banco branco de madeira ao longe, um casal. Ele era magro, alto, com um cabelo curto arrepiado; Ela, uma menina ruiva, com sardinhas e uma cara de poucos amigos. Ambos vestiam camisetas pretas e calça jeans. Pareciam brigar por algo, talvez, tolo. Mas para mim era muito mais que isso. Talvez ele tivesse traído ela, ou ela tivesse chegado atrasada demais e ele estivesse se queixando. Quem sabe? Eu poderia tirar o fone, chegar perto e ouvir para entender... mas assim é de fato, divertido. Enquanto começava a leve introdução de Logical Song do Supertramp eu percebia que ambos estavam se beijando. É incrível perceber como um namoro se resolve rápido, apesar de brigas e discuções eles sempre se resolvem, tomam um café, dão as mãos e saem andando felizes observando os pássaros. Acho que por isso todos acham que vale a pena... Mas eu continuo como um espectador aqui, vendo, sentindo e deduzindo...
Então vagarosamente rumei em direção ao jornaleiro mais próximo, comprei meu jornal favorito, um maço de cigarros de menta e um chiclete para não me entediar. Sentei-me no banco onde outrora o casal estava e lá fiquei, lendo, mascando e esperando o dia em que eu poderia me sentir no lugar do casal que eu observava.


Current Music: Sometimes (My Bloody Valentine)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Contos Perdidos das Páginas Mágicas (Texto 5 de 8)

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Ressaca de Refrigerante


Hoje acordei com meu chapéu de cowboy e meu terno azul. Pudera ser um sonho ou eu realmente estava vendo tudo embaçado? Meus pés tocavam de leve o chão e eu ouvia uma canção. O som penetrava meus tímpanos que descansavam ao ouvir tal sonoridade, não me lembro da noite passada, se é que existiu uma. Só lembro de uns frascos de kibes e umas garrafas vazias no chão... minha memória estava falhando como vindo de uma ressaca forte. Sei que tive amigos, mulheres e até mesmo homens. Tudo passou do estágio da loucura diária e aceitável. Meu celular havia desaparecido assim como meu pudor desmedido. Por fim, chutei meu gato, que repousava levemente sobre minhas sandálias, catei meus óculos que estavam com a armação bem torta, ajeitei meu cabelo que já não é muito ajeitável mas parecia pior que de costume, tomei um forte café doce, fumei um cigarro nojento de fundo de gaveta, enfrentei a chuva que parecia rir de mim e fui trabalhar como se nada tivesse acontecido.


Current Music: Search and Destroy - Iggy and The Stooges

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Verde, Vermelho e Amarelo

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Correr atrás de quem se ama é uma arte. Para poucos. Fato.
Se ver perdido, confuso e anestesiado sem conseguir falar ou articular o que se deve é o comum então. A covardia interna não se acovarda perante o amor.
E falar de amor é tão complicado... cansativo, difícil...
Mesmo com um por de sol amarelado não conseguimos nos inspirar, expressar...
O amor torna nossa vida um quadro com vários tons da aquarela. Confuso isso? Sim. Porque não? Falamos de paixão, amor, devoção, quem sabe?

Não correr atrás nos faz seguros. Dentro de um casulo nos protegemos de possíveis decepções ou talvez glórias que pode se tornar amarguras no futuro.
Então viver fechado, trancado e escondido é o que faz de nós, seguros sentimentalmente.
O mundo é dos covardes! Grandes países usam de covardia contra os menores países para adiquirir o que bem entendem. Grandes (e gordinhos) garotinhos da escola usam de seu tamanho para roubar o lanche dos menores e indefesos menininhos. Grupos de playboys usam seu grande numero de pessoas para, covardemente, ferir algum nerd de oculos e espinhas só porque ele é fã de Star Wars.
Fato, fato, fato...
Então nos vemos em um limiar colorado sem chance de lutar contra nosso ímpeto. E por mais que vermelhos de raiva, não podemos dizer. Nos calamos, e calados permanecemos. Sãos e salvos. Porém em vão.

Mas quando o tempo passa e as folhas verdes se fazem marrom, me lembro dos olhos dela. No sol, do castanho passa para o tom das folhas e isso me conforta de forma que esqueço de falar e volto a gaguejar. Mas se deixar o dia correr, a semana acabar e os mês voar podemos ficar quebradiços e fracos, como se tudo que nos resta é um abrigo solitário. De fato a vida é curta, chata e trabalhosa então não podemos nos dar ao luxo de exitar! Porque aqueles olhos podem nos enganar ou confundir e no meio de toda incerteza pode haver um momento de exatidão e aí o por do sol de cores se funde com aquele olhar e a confusão se torna uma certeza concreta. E tudo se encaixa. O tempo de agora se torna o que esperamos. E o que esperamos se torna mais que real.


Acordado então, me vejo entre essa questão. Falar de amor, correr de medo ou nadar em prol de um bem maior?

Pois é, amar é complicado... porém o que mais complica é o medo de não ser amado, muitas vezes sem razão.


Current Music: Changes (Black Sabbath)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Da Mentira

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E o tempo mentia pra mim
Sobre o verão que deixei passar
Devagar, devagar, devagar...


Current Music: Condicional - Los Hermanos

sábado, 24 de janeiro de 2009

Da Tempestade que Vem e Fica

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E tão sereno e moribundo, olho pela janelinha do banheiro... dela vejo grades e telhados, nada colorido além dos frascos de sabonete líquido que ficam perto do vidro. A chuva vai caindo fina, fria e silênciosa. Aquele silêncio parece cortar meus tímpanos que ao mesmo tempo me iludem com um som fresco e pálido.

E devagar vou vendo, analisando e pensando... cansado de peregrinar pela casa fico ali, inerte.

Eis que passa em minha mente aquele repetitivo flash, papai chegando do trabalho, mamãe fazendo o jantar... e eu calado. Como hoje.

Sorrio sozinho mas sinto vontade de deitar. E a chuva não para. E o flash termina. A vontade de sair por aquela janela é grande, mas as grades me impedem. O que teria lá fora que tanto me acalma, me engana, me conforta...?

Aperto os botões de minha camisa, apago a luz que me incomoda e caminho novamente ao meu sonoro dia-a-dia. Mas aquele momento de silêncio e sem cor parece ter me despertado.

E a chuva vai caindo... inundando a rua... inundando minha mente... inundando minha vida.



Current Music: Garden - Pearl Jam